segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A importância da conjunção no texto


Conjunção é a palavra invariável que pode ligar duas orações ou duas palavras de mesma função sintática dentro da oração.
         No texto, as conjunções são capazes de definir melhor nossas ideias e, consequentemente, deixar o texto mais preciso e objetivo.

Conjunções Coordenativas
        As conjunções são classificadas de acordo a relação de dependência sintática dos termos que ligam. Se conectarem orações ou termos pertencentes a um mesmo nível sintático, são ditas conjunções coordenativas.

          Aditivas
     Indicam uma relação de adição à frase: enemmas tambémcomo tambémalém de (disso, disto, aquilo)quanto (depois de tanto), bem como etc.
         Ex.: Estive em São Paulo e Goiás.
                Todos aqui estão felizes e encorajados.

           

        Adversativas

           Indicam uma relação de oposição. Também pode gerar um sentido de consequência a algo dito anteriormente. São elas: masporémtodaviaentretantono entantosenãonão obstantecontudo etc.       Antes dos nexos adversativos a vírgula é obrigatória.
         Ex: O menino caiu, mas não se feriu.

 

     Alternativas 

         Expressam uma relação de alternância, seja por incompatibilidade dos termos ligados ou por equivalência dos mesmos. São elas: ou... ououora... ora,já... jáquer... quer etc.
         Ex.: Ou me compras um carro, ou compro eu.

 

    Explicativas

     Expressam a relação de explicação, razão ou motivo. São elas: queporqueporquantopois (anteposta ao verbo).
       Ex: Ela escreve pouco porque está sem tempo.

 

    Conclusivas

           Indicam relação de conclusão. São elas: pois (posposta ao verbo), logoportantoentãopor issopor conseguintepor istoassim etc. Não dá ideia te tempo.
       Ex.: "Sou mulher, logo, só posso falar palavrão em língua estrangeira." (L.F. Telles)

Conjunções Subordinativas
         As conjunções subordinativas ligam uma oração de nível sintático inferior (oração subordinada) a uma de nível sintático superior (oração principal).

        Integrantes
     Introduzem orações (chamadas de substantivas) que podem funcionar como sujeito, objeto direto, predicativo, aposto, agente da passiva, objeto indireto, complemento nominal (nos três últimos casos pode haver uma preposição anteposta a conjunção) de outra oração. São elas: que e se.
        Quando o verbo exprime uma certeza, usa-se que; quando não, usa-se "se".
        Ex: Afirmo que sou inteligente.
              Não sei se existe ou se dói.
                                                                                                                       
Uma forma de identificar o se e o que como conjunções integrantes é substituí-los por "isso", "isto" ou "aquilo".
       Ex: Afirmo que sou inteligente (afirmo isto.)
             Não sei se existe ou se dói (não sei isto.)                                                                                    

          Causais
   Iniciam orações denotadoras de causa.  São elas: porque, pois, porquanto, como, pois que, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como, que, na medida em que.
     Ex: Luísa voltou pois estava com saudades.
Como o frio era grande, aproximou-se da lareira.

 

          Comparativas

     Iniciam orações que contém o segundo membro de uma comparação. São elas: que, (mais/menos/maior/menor/melhor/pior) do que, (tal) qual, (tanto) quanto, como, assim como, bem como, como se, que nem (dependendo da frase, pode expressar semelhança ou grau de superioridade) etc.
     Ex: O marido está tão confuso quanto a esposa.

 

      Concessivas

     Iniciam orações em que se admite um fato contrário à ação proposta pela oração principal, mas incapaz de impedi-la. São elas: embora, muito embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que, nem que,em que, que,e, a despeito de, não obstante etc.
        Ex: Ainda que chova, irei ao centro.

 

        Condicionais

     Iniciam orações em que se indica uma hipótese ou uma condição necessária para que seja realizado ou não o fato principal. São elas: se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc.
       Ex: Caso estivesse por perto, nada disso teria acontecido.

 

        Conformativas

    Iniciam orações em que se exprime a conformidade de um pensamento com o da oração principal. São elas: conforme, como, segundo, consoante etc.
      Ex: Tal foi a conclusão de Aires, segundo se lê no Memorial. (Machado de Assis)

 

       Consecutivas

   Iniciam orações nas quais se indica a consequência. São elas: que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que etc.
      Ex: Soube que tivera uma emoção tão grande que Deus quase a levou.

        Finais

   Iniciam orações que indicam a finalidade, o objetivo da oração principal. São elas: para que, a fim de que, porque [para que], que etc.
     Ex: Chegue mais cedo a fim de que possamos conversar.

 

        Proporcionais

   Iniciam orações em que se menciona um fato realizado ou para realizar-se simultaneamente com o da oração principal. São elas: à medida que, ao passo que, à proporção que, enquanto, quanto mais … (mais), quanto mais (tanto mais), quanto mais … (menos), quanto mais … (tanto menos), quanto menos … (menos), quanto menos … (tanto menos), quanto menos … (mais), quanto menos … (tanto mais) etc.
     Ex: O preço do tomate aumenta à proporção que esse alimento falta no mercado.

 

         Temporais

   Iniciam orações indicadoras de circunstância de tempo. (Cuidado para não confundir "logo" com conjunção coordenativa conclusiva). São elas: quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, enquanto, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que [= desde que] etc.
    Ex: Implicou comigo assim que me viu.

Observações gerais

Uma conjunção é na maioria das vezes precedida ou sucedida por uma vírgula (",") e muito raramente é sucedida por um ponto ("."). Seguem alguns exemplos de frases com as conjunções marcadas em negrito:
"Aquele é um bom aluno, portanto deverá ser aprovado."
"Meu pai ora me trata bem, ora me trata mal."
"Gosto de comer chocolate, mas sei que me faz mal."
"Marcelo pediu que trouxéssemos bebidas para a festa."
"João subiu e desceu a escada."
Quando a banda deu seu acorde final, os organizadores deram início aos jogos.
Em geral, cada categoria tem uma conjunção típica. Assim é que, para classificar uma conjunção ou locução conjuntiva, é preciso que ela seja substituível, sem mudar o sentido do período, pela conjunção típica. Por exemplo, o "que" somente será conjunção coordenativa aditiva, se for substituível pela conjunção típica "e".
Veja os exemplos:
Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és.
Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és.
As conjunções alternativas caracterizam-se pela repetição, exceto "ou", cujo primeiro elemento pode ficar subentendido.
As adversativas, exceto "mas", podem aparecer deslocadas. Neste caso, a substituição pelo tipo (conjunção típica) só é possível se forem devolvidas ao início da oração.
A diferença entre as conjunções coordenativas explicativas e as subordinativas causais é o verbo: se este estiver no imperativo, a conjunção será coordenativa explicativa: "Fecha a janela, porque faz frio."
O "que" e o "se" serão integrantes se a oração por eles iniciada responder à pergunta "O que…?", formulada com o verbo da oração anterior. Veja o exemplo:
Não sei se morre de amor (o que não sei? Se morre de amor.)

O uso da conjunção "pois" pode a ser classificada em:
§                       explicativa, quando a conjunção estiver antes do verbo;
§                       conclusiva, quando a conjunção estiver depois do verbo;
§                       causal, quando a conjunção puder ser substituída por "uma vez que".

 

Referências

1.                     Paschoalin; Spadoto, Gramática — Teoria e Exercícios.
2.                     Evanildo, Gramática Escolar da Língua Portuguesa, Bechara

 




Um comentário:

  1. Perguntaram-me, em que as conjunções subordinativas são úteis no nosso dia a dia... eu dei uma resposta, porém preciso de mais opiniões.

    ResponderExcluir